Divina Liturgia de agradecimento ao Bispo Dom Dionísio Lachovicz pelos 35 anos de serviço eclesial na Europa

Em 1º de fevereiro de 2026, na Capela do mosteiro de Cristo Rei, em Roma, foi celebrada a Divina Liturgia de agradecimento ao Bispo Dom Dionísio Lachovicz, OSBM, Exarca emérito do Exarcado Apostólico para os católicos ucranianos de rito bizantino na Itália, bem como um encontro de despedida com os consagrados de Roma. Nos próximos dias, o Bispo Dom Dionísio retornará à sua terra natal, o Brasil, para continuar seu serviço na Província de São José da Ordem Basiliana de São Josafat como Bispo emérito.
A Divina Liturgia foi concelebrada pelo padre Roberto Lisseiko, OSBM, Protoarquimandrita da Ordem de São Basílio Magno; pelos Conselheiros Gerais: padre Maurício Popadiuk, OSBM, padre Luis Caciano, OSBM, padre Teodósio Gren, OSBM; e pelo padre Efrém Konchak, OSBM, Vigário da comunidade da Casa Geral em Roma.
Em sua homilia, o Bispo Dom Dionísio refletiu sobre a parábola do filho pródigo. Ele observou que o personagem principal da parábola é o pai – a personificação do Pai Celestial, que perdoa o filho pródigo. O Pai também ama seu filho mais velho, que invejava o mais novo. Segundo o pregador, a inveja destrói os relacionamentos entre as pessoas. “Somos chamados a vencer a inveja agradecendo a Deus pelo que temos”, encorajou Dom Dionísio. Ele apontou para a festa do retorno e o encontro do filho pródigo com seu pai – Deus, que aguarda nossa conversão. É aí onde reside a beleza salvadora da parábola.

O Bispo disse que também ele está retornando para sua casa no Brasil, mas não como um filho pródigo, e sim como alguém que, em 1991, foi em missão à Ucrânia para pregar o Reino de Deus. Falando sobre seu ministério episcopal, ele relembrou seu serviço como chefe do departamento pastoral, quando foi necessário cuidar de comunidades eclesiais em países onde não havia estruturas da Igreja Greco-Católica ucraniana. Particularmente comovente para ele foi a experiência em Portugal, quando celebrou pela primeira vez a Divina Liturgia de Natal na presença dos homens, que vieram em grande número para este país para trabalhar.
Falando sobre seu futuro ministério no Brasil, o Bispo observou que, a partir de agora, ele tem uma missão espiritual: orar por todos aqueles de quem cuidou durante seus mais de 30 anos de ministério na Europa. “Portanto, em cada Liturgia durante a proskomédia, ofereço dons sinceros por todos vocês, para que o Senhor possa transformar a todos em um grande povo de Deus”, compartilhou. “Nós nos tornamos o povo de Deus quando o Espírito Santo desce sobre os dons consagrados e sobre todos nós. Graças à ação do Espírito Santo, somos o povo santo de Deus.” O pregador expressou gratidão a Deus pelos bons e também difíceis momentos de seu ministério episcopal, bem como pelo período de 14 anos em que permaneceu na Sede Principal da Ordem Basiliana em Roma: primeiro como estudante e, posteriormente, como Superior Geral. “Sou um monge e estou retornando ao mosteiro”, concluiu o Bispo Dom Dionísio.

Despedindo-se dos fiéis, assegurou-lhes que eles permanecerão para sempre em seu coração, pois, independentemente do país que visitou, sempre sentiu a bondade e a hospitalidade dos fiéis. Recorrendo à parábola do filho pródigo, o Hierarca encorajou os presentes a se aproximarem do Pai Celestial por meio da oração e da palavra de Deus. Nesse contexto, recordou sua inesquecível experiência de união com Deus durante a pandemia de COVID-19, quando vivenciou sua própria via sacra no hospital.
Após a Divina Liturgia, o padre Protoarquimandrita agradeceu ao Bispo Dom Dionísio pela oração conjunta e por seu ministério na Europa, que durou mais de 30 anos. O Superior Geral recordou 1991, quando Dom Dionísio chegou do Brasil à Ucrânia para compartilhar conhecimento e educar muitos irmãos estudantes, primeiro como professor nos Seminários Teológicos e, posteriormente, como reitor do Instituto Basiliano de Estudos Filosóficos e Teológicos. Em seguida, o padre Roberto mencionou o período romano do ministério do Bispo Dom Dionísio, que, enquanto servia como Proto-Arquimandrita da Ordem Basiliana, decidiu abrir as portas da igreja do Mosteiro aos fiéis; também contribuiu para a formação do Exarcado na Itália. “Graças aos seus esforços, os religiosos basilianos em Roma frequentemente realizavam trabalho pastoral com os fiéis em várias cidades da Itália”, observou o padre Roberto. Ele também falou sobre o ministério do Bispo como Visitante para os fiéis greco-católicos ucranianos na Itália e na Espanha. “Parece que é preciso tempo para avaliar adequadamente sua significativa contribuição para a Igreja na Ucrânia e em outros países europeus”, concluiu o Superior Geral, desejando que o Bispo Dom Dionísio compartilhasse sua experiência e continuasse pregando o Evangelho no Brasil.
O Proto-Arquimandrita e os fiéis também felicitaram o padre Efrém Konchak, OSBM, pelo seu 50º aniversário, cantando juntos “Ad multos annos”.

À noite, os consagrados também vieram se despedir do Hierarca, com quem se uniram em uma oração conjunta das Vésperas por ocasião da festa do Encontro do Senhor. “Reunimo-nos hoje para agradecer a Deus por Seu poder, que nos ajuda a permanecer fiéis”, disse o Bispo Dom Dionísio. Ele nos encorajou a seguir na vida monástica o exemplo da Santíssima Trindade – o único amor, luz, bondade e misericórdia – a fim de criar unidade na diversidade dos dons. “E é por isso que o Papa João Paulo II diz que a vida consagrada são as pegadas da Santíssima Trindade neste mundo. Somos as pegadas que os outros devem seguir”, observou o orador. Segundo ele, os consagrados são chamados a ser um sinal do Reino de Deus na terra, como ensina o Concílio Vaticano II. Nesse contexto, o monasticismo é marcado por uma dimensão profética, pois com sua vida já anuncia o que um dia virá. Em conclusão, Dom Dionísio encorajou os consagrados a pedirem a graça da purificação de Deus, sendo iluminados pela luz do Espírito Santo.

Em nome dos religiosos presentes, o padre Roberto Lisseiko, OSBM, agradeceu ao Hierarca pela atenção dedicada à vida monástica. Ele observou que, durante seu ministério episcopal, Dom Dionísio fez grandes esforços para promover o desenvolvimento da vida consagrada na Igreja.


